Comportamento

Memórias de uma maconheira assumida

“Filha, você anda fumando drogas?!”

Perguntou meu pai, um japonês de aparência séria e até um pouco sisuda. Eu não aguentei! No auge dos meus 17 anos, sorri. Do leve sorriso me escapou uma boa risada! Que logo virou uma gargalhada! “Desculpa pai, mas eu tento evitar fumar coisa ruim…”

Foi com o ar descontraído e a postura de quem “não vai marginalizar algo a que não considera marginal” que enfrentei o desafio de assumir que sim: gosto de ficar chapada, tranquila, sensível a outros tipos de estímulos! Gosto mais de fumar um e viajar nas nuvens que desenrolam-se num céu azul do que encher a cara de cerveja barata, me sentir empapuçada e sair dirigindo imprudente meu carro, bicicleta ou até o próprio corpo.

Foram longas e repetidas conversas com os meus pais sobre quais eram os efeitos da maria, onde e como a gente comprava, o que era um prensado, um naturalzinho e o hashish. Após muito tempo e tantas explanações, o tal respeito foi conquistado. Tias, primos e agregados sabem do meu gosto pelo verdinho e, é claro, em sua grande maioria, não aprovam. O que mais me choca é o concenso geral de que o álcool, consumido em todas as ocasiões de reuniões familiares, seja algo legítimo e praticamente imprescindível. Já levantei essa questão algumas vezes, porém fica difícil argumentar sobre pilares culturais tão profundos. Principalmente pelo fato da distorção existente na realidade da planta e seus efeitos.

Enfim, o recado que gostaria de passar é: (repito) NÃO DEVEMOS MARGINALIZAR AQUILO QUE NÃO CREMOS SER MARGINAL… Com isso não quero dizer que devemos baforar expessas nuvens de fumaça na cara de policiais, políticos e vizinhos. Me refiro à nossa postura em ocasiões propícias a debater o tema. Principalmente dentro das nossas casas e círculos mais íntimos, pois não há maior dádiva do que a leveza de poder ser aquilo que se é, tanto para quem pode então nos conhecer, quanto para nós mesmos.

Agradeço aos meus pais por todo respeito e abertura. Espero que a atitude se alastre feito mato. Então, espalhem suas sementes (no sentido figurado – ou não ,).

,Karla Keiko

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Vitória Margarida